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Encerramento 2025 - Festa para Iansã

Encerramento 2025 - Festa para Iansã

Um ano de perda, dores, resiliência e superação.

Há festas que celebram a tradição. E há festas que marcam a história.

A primeira Festa de Iansã realizada no Barracão nasceu das duas coisas ao mesmo tempo, da devoção de sempre e de um momento que poucos gostariam de ter vivido, mas que todos precisavam atravessar juntos.

2025 foi um ano que nos testou fundo, perdemos um dos nossos fundadores mais antigos, nosso decano José Roberto Falasco, o nosso querido Betão. E sem tempo pra juntar os cacos, nosso Babalorixá Alexandre e, logo depois, nossa Yalorixá Silmara e muitos outros filhos de santos da casa, enfrentaram batalhas severas pela saúde, deixando o terreiro suspenso entre a fé e o medo, entre a oração e a espera. Foi nesse clima, ainda pedindo pela sua recuperação, que o Barracão se preparou para algo inédito: uma festa inteira em homenagem a Iansã, a Rainha dos Ventos e das Tempestades.

E que escolha mais precisa do que essa. Iansã não é apenas a soberana dos raios e das grandes forças da natureza, ela é o Orixá que varre o que precisa ser varrido, que sacode o que está parado, que afasta o que faz mal e abre passagem para o que há de vir. Honrá-la naquele momento foi reconhecer que só ela, com toda a sua força, poderia soprar os ventos certos sobre aquele ano tão pesado e trazer, com eles, a cura, a virada e a renovação.

O salão do Barracão refletiu tudo isso. O enfeite suspenso ao centro, formando raios, foi mais do que decoração, foi uma declaração de fé em forma de arte, inédita, que quem esteve presente não esquece.

E teve um detalhe que completou o sentido da noite: Iansã foi homenageada, mas quem veio trabalhar e representá-la foram nossos queridos Baianos, trazendo consigo toda a devoção e fervor que o povo baiano carrega por esse Orixá tão poderoso, sincretizado com Santa Bárbara.

E nada melhor do que a grande idealizadora dessa festa, falar um pouco sobre esse evento:

"Sem dúvida alguma, preparar a homenagem para Iansã foi a tarefa mais difícil que precisei fazer dentro do nosso terreiro, senão da minha vida. Estávamos enfrentando a segunda e mais longa batalha que, em 2025, tivemos que enfrentar. E sendo irmã de sangue da Mãe Silmara e uma filha legítima de Iansã, aquilo me assombrava. Mas eu tinha a certeza de que aquela homenagem seria muito mais do que apenas uma homenagem, traria minha irmã de volta.

Essa homenagem havia sido combinada e conversada antes mesmo de qualquer sinal de que algo sairia do "controle", e não poderíamos deixar de homenagear aquela que, com toda a sabedoria, iria varrer com sua ventania todo e qualquer malefício que estivesse naquele terreiro.

Como me foi confiado, fiz. Com o pensamento todo na cura de minha irmã. FIZEMOS, porque somos presenteados pelos nossos filhos de santo, que entendem o propósito e se dispõem a ajudar. E foi assim realizado, com fundamentos, sabedoria e muito pensamento firme, a nossa homenagem a Iansã, que não brilhou com sua passagem linda, digna de limpeza, após uma tempestade daquelas."
Yalorixá Ariane Ibiapino

Nossa yalorixá Silmara Falasco se recuperou. O terreiro segue firme, unido e cheio de axé. E essa festa ficará guardada não apenas como a primeira de Iansã no Barracão, mas como um marco de fé coletiva, a prova de que, mesmo nos momentos mais difíceis, Iansã sopra seus ventos, varre as tempestades e abre céu limpo para quem tem fé.

Eparrei Oyá!

Créditos

Texto: Leo Raposo
Fotos: Elenita Montibeler

Livro Exu e Pombagira Livro Exu e Pombagira