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I Encontro Serra do Japi

I Encontro Serra do Japi
Evento discute uso consciente da Serra.

Por Paulo Makyama

 
No dia 27 de Janeiro de 2019, os membros da Diretoria da UNI Terreiros participaram do 1° Encontro Serra do Japi e Práticas religiosas. O evento surgiu por iniciativa da Superintendente da Fundação Serra do Japi, Vânia Plaza Nunes, que ao longo dos últimos meses articulou os detalhes com o Presidente da UNI Terreiros Gihad Abbas e a Assessora de Políticas para Igualdade Racial, Isabela Galdino Miguel.
 
O evento iniciou com a fala de Abbas sobre a relação dos Umbandistas com o meio ambiente, e reforçou a importância de todo umbandista assumir o compromisso de conservar a Natureza, já que seus diferentes elementos formam os Pontos de Força dos Orixás em sua forma mais pura. Em seguida, o Sacerdote Rodrigo Batalha, (Mestre Ybatiara) do Templo de Umbanda Estrela Matutina, falou sobre os ritos de louvação umbandistas e os oito sítios sagrados de culto (Natura naturandis), sob a ótica da Escola umbandista que pratica em sua Casa.
 
Thiago Batolla, Muzenza na Comunidade Afro-religiosa Santa Catarina, discorreu sobre a relação do Candomblé com a Natureza, enfatizando que, na Comunidade à qual pertence, não existe a prática de imolação de animais seguida do descarte do animal morto na natureza, mas sim que toda e qualquer oferenda é preparada no interior do salão do próprio terreiro, que em seguida são recolhidos e despachados em lugar apropriado para tal, e a carne do animal é sempre preparada e oferecida em um banquete coletivo aos presentes (Ngudia, ajeun no candomblé Ketu). Ato contínuo, o Bàbálòrìṣà Alex ti Ọ̀ṣọ́ọ̀sí explicou sobre a intrínseca ligação entre os ritos de iniciação do Candomblé e as águas, da mesma maneira que o bebê nasce envolto em “uma bolsa d’água”, na iniciação o yàwó também morre para o mundo profano e “nasce” para o sagrado, por isso, ele é levado a uma fonte d’água (cachoeira, rio, ou pororoca, por exemplo) para que esse elo seja estabelecido.
 
Findas as falas dos representantes religiosos, a superintendente Vânia fez uma fala sobre as características geofísicas da Serra, sua composição única e também sobre as inúmeras espécies da fauna e da flora local, além de mostrar exemplos de degradação que são comumente encontrados na Serra - em menos de três horas, segundo relatório, mais de NOVENTA quilos de resíduos não-degradáveis foram recolhidos da área. À sua fala, somaram-se à de Sinésio Scarabello Filho, Secretário de Planejamento e Meio Ambiente, Wagner Paiva, agente de fiscalização de posturas municipais, também da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, Sílvia Lúcia Vieira Cabrera Merlo, Presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema), e Rogério Cabrera Merlo,  1º Secretário do Conselho de Gestão da Serra do Japi, que representaram as organizações engajadas em zelar pela conservação da Serra em conjunto com a prefeitura.
 
O público presente foi então dividido em grupos, nos quais deveria debater sobre como educar para conscientizar a população, de modo a preservar e conservar a Serra, o papel que a Prefeitura pode e deve exercer nesse âmbito, e quão adaptáveis são as práticas religiosas atualmente existentes, de modo a reduzir o impacto causado pelos atos litúrgicos externos. A necessidade de um espaço reservado para o culto foi consenso geral de todos os grupos no intuito de reduzir a incidência de atos danosos à Natureza, mas verificou-se que a maioria das lideranças religiosas presentes já orientam seus filhos a buscar alternativas mais sustentáveis para oferendas externas, sendo necessário, dessa maneira, buscar atingir àqueles que ainda não o fazem, por meio de campanhas de conscientização voltadas à preservação do meio ambiente como um todo, amparadas pela Prefeitura e todos os seus recursos. Levantou-se, também, a possibilidade de criação de oficinas voltadas a públicos específicos, organizadas pelas comunidades religiosas de modo a desmistificar os conceitos errôneos que o público comum possa ter em relação às religiões de Matriz Africana e promovendo uma maior aproximação com a população local. 
 
Ao final do evento, formou-se uma comissão para dar seguimento às sugestões relatadas pelos grupos e acompanhar o desenrolar das discussões que este primeiro encontro proporcionou ao Povo de Santo.
 

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