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A Origem da Umbanda (Bantu/Ameríndia)

A Origem da Umbanda (Bantu/Ameríndia)
Uma religião espiritualista, cristã, monoteísta e 100% brasileira.

Por Pai Alexandre Falasco

Podemos começar explicando porque se diz que a Umbanda é brasileira se possui tantos elementos vindos de outros lugares como, por exemplo, a África.

O brasileiro (individuo nascido no Brasil) também traz traços e influências de nossos antepassados e esses eram africanos, europeus e indígenas. A brasileira umbanda é exatamente isso.

A religião, oficializada em 1908 (ano da primeira tenda registada em cartório com o termo "Umbanda") teve suas origens muito antes disso.

É difícil traçar com exatidão um paralelo entre as diversas histórias que poderiam ser consideradas como a verdade sobre o surgimento da Umbanda. A maior Influência foi africana, mas também recebeu influencias europeias, quer seja do francês Kardecismo ou da romana igreja católica, entre outras que aportaram aqui no país depois do descobrimento.

O mais importante é lembrar que chegaram "apenas" depois de 1500, e que antes disso já viviam por aqui os índios, que já possuíam suas próprias crenças, a maioria das tribos e etnias já acreditavam na existência da vida após a morte e na comunicação com os espíritos.

Esses índios tiveram contato com os primeiros africanos escravizados, o povo bantu.

O povo bantu começou a chegar do sul da África, mais precisamente da região de Angola a partir de 1560, (diferente dos nagôs, povo Iorubá, que aportou por aqui a partir de 1800 vindos do norte, região da Nigéria).

Esses escravos bantus acreditavam na incorporação e comunicação de eguns (espíritos de antepassados desencarnados), assim como nossos índios tupiniquins.

Porém, se na Umbanda, chamamos nossos Orixás de "Orixás" e não de Voduns ou Inquices, se nosso Orixá do Trovão é Xangô e não Quevioso ou Nzazi, estamos falando na língua Iorubá, que é a língua na nação Ketu/Nagô, e este é sem dúvida o culto de nação do qual mais herdamos elementos na nossa liturgia, a exemplo da própria teogonia. Isso porque, como já dissemos, o povo nagô, que fala iorubá, chegou aqui no Brasil em uma época bem diferente do povo bantu. Foi por volta de 1800, portanto, já no século onde se chegaria à Lei Áurea. Com isso, foi um povo que teve menos dificuldade para se organizar e preservar melhor sua língua e cultura que acabou se tornando a língua do axé afro-brasileiro de um modo geral.

Mas os Iorubás não acreditam na comunicação com os eguns, os Bantu e os índios brasileiros sim, os Iorubás acreditam que somente o Orixá incorpora e somente o contato com estes é benéfico, enquanto os Bantu e os Índios brasileiros acreditam que espíritos de nossos antepassados também podem se comunicar pelos meios do transe.

Neste caso, podemos afirmar que somos mais parecidos com o povo Bantu, ou melhor dizendo, que a origem da Umbanda se deu do encontro do escravo Bantu com o índio nativo, este último já catequizado pelos portugueses, portanto meio "acaboclado" como se dizia na época, e desse encontro cultos populares que misturavam santos católicos, crenças indígenas e práticas africanas foram aparecendo.

O catimbó nordestino, a jurema dos mestres, os batuques cariocas e sulistas, são exemplos do resultado desse encontro.

Podemos dizer que o candomblé ketu/nagô dos iorubás ficou preservado e repete no Brasil a forma como se cultuava na África. Já a crença dos escravos bantu quase se perderam, ou melhor, se misturaram com as crenças de nossos índios/caboclos mais ou menos convertidos ao cristianismo, dando origem aos primeiros cultos que futuramente se conheceria como a grande religião popular e 100% brasileira chamada Umbanda.

A própria palavra Umbanda ou "embanda" são oriundos da língua quimbunda de Angola, significando "magia", "arte de curar" Também era conhecida a palavra "mbanda" significando "a arte de curar" ou "o culto pelo qual o sacerdote curava", sendo que "mbanda" quer dizer "o Além, onde moram os espíritos".

 

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