Demais Cultos Afro / Tambor de Mina
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TAMBOR DE MINA
Dentre as várias manifestações religiosas afro-brasileiras,
podemos encontrar no Maranhão e na Amazônia o chamado Tambor de
Mina. Veja abaixo mais alguns detalhes desta cultura.
< Mãe Adriana Brescancini |
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A origem do nome vem da importância
que o instrumento – Tambor - tem nos rituais afro-brasileiros e da
denominação dada aos escravos africanos trazidos da costa leste do
Castelo de São Jorge da Mina (onde atualmente encontramos a
Republica de Gana), Togo, Benin e Nigéria, que também eram
conhecidos como mina-jejes e mina-nagôs.
Essa religião é voltada para a ancestralidade, sendo iniciática e
de transe ou possessão.
Nas doutrinas mais tradicionais, a iniciação é demorada, com
discrição no recinto dos terreiros e não havendo cerimônias
públicas. Poucos integrantes recebem os graus elevados ou
iniciação completa. Em alguns recintos sagrados do culto somente
os mais graduados podem penetrar. O transe, durante os cultos, é
percebível às vezes, apenas por pequenos detalhes das vestimentas
dos médiuns.
A discrição existente tanto no comportamento quanto no transe é
uma característica marcante no Tambor de Mina, o que leva muitos
considerarem como a “maçonaria dos negros”.
Em muitas casas, no inicio do transe, a entidade dá muitas voltas
ao redor de si mesmo, no sentido contrário ao dos ponteiros do
relógio, talvez para firmar o transe, numa dança de bonito efeito
visual. Normalmente quando o médium entra em transe recebe um
símbolo, como uma toalha branca amarrada na cintura ou um lenço,
denominado pana, enrolado na mão ou no braço.
Existem dois modelos principais de Tambor de mina no Maranhão:
mina jêje e mina nagô.
O primeiro parece ser o mais antigo e se estabeleceu em torno da
Casa grande das Minas Jêje, não possui casas que lhe sejam
filiadas, daí porque nenhuma outra siga completamente seu estilo.
Nesta casa os cânticos são em língua jeje (Ewê-Fon) e só se
recebem divindades denominadas de voduns, mas apesar dela não ter
casas filiadas, o modelo do culto do Tambor de Mina é grandemente
influenciado pela Casa das Minas.
Os voduns da Casa das Minas, de quem se conhecem os nomes de
aproximadamente sessenta, agrupam-se em três famílias principais e
duas que são hóspedes da casa, a saber: a família real de Davice,
a que pertence o vodum dono da casa, Zomadônu e outros, que como
ele são relacionados com a família real do Daomé, como: Dadarrô,
Docú, Bedigá, Sepazin, Agongônu, Toçá, Tocé, Jogorobossú; a
família de Quevioçô (dos voduns chamados nagôs), como Badé, Sobô,
Lôco, Liçá, Averequête, Abê e outros; a família de Dambirá (que
cura a peste e outras doenças), chefiada por Acossi Sakpatá e que
incluí entre outros Azíli, Azônce, Polibojí, Lepon, Alôgue, Ewá,
Bôça e Boçucó. Existem ainda voduns agrupados na família de
Aladanu, hóspedes de Quevioçô, como Ajaúto e Avrejó e da família
de Savaluno, hóspede de Zomadônu, como Agongonu e Jotim. Cada
família ocupa uma parte específica da casa e tem cânticos,
comportamentos e atividades próprias. Na Casa das Minas as
vodunsis só recebem um vodum e só dançam quando estão com ele.
Durante o transe os voduns não comem, não bebem, não satisfazem
necessidades fisiológicas, cantam e dançam com os olhos abertos,
conversam entre si e com devotos, dão conselhos e alguns gostam de
fumar.
Na mina-jeje os toques são realizados por três tambores com couro
numa só boca (hum, humpli e gumpli), batidos com a mão e com
aguidaví. São também acompanhados pelo ferro (gã) e por cabaças
pequenas revestidas de contas coloridas. Nas festas as vodunsis em
transe, usam saias lisas na mesma cor ou estampada, blusa branca
rendada, toalha branca bordada amarrada no seio ou na cintura,
guias e rosários de miçangas pequenas coloridas em que predominam
o marrom (gonjeva), carregam na mão um lenço branco pequeno e usam
sandália. Algumas usam símbolo do seu vodum, como bengala,
rebenque, guizos, lenço colorido no ombro e cabelos soltos.
Já o mina-nagô, que é quase contemporâneo e que também continua
até hoje é o da Casa de Nagô, localizada no mesmo bairro (São
Pantaleão) a uma quadra de distância.
Na Casa de Nagô as vestimentas são semelhantes as da mina-jeje,
bem como características gerais da iniciação e de discrição no
culto. Nos toques canta-se em nagô para voduns jejes (Doçu,
Averequete, Ewá, Nanaburuku, Légo Xapanã) e orixás nagôs (Ogum,
Xangô, Badé, Lôco, Iemanjá) e em português para as entidades
gentis e caboclos (Dom Luís, Dom João, Dom Sebastião, Tio Zezinho;
Rei da Turquia, Caboclo Velho, Princesa D’ Oro, Guerreiro,
Mariana, Manuelzinho, João da Mata e muitos outros).
Nas demais casas de tambor de mina do Maranhão, difundiu-se o
modelo da Casa de Nagô. Cultuam-se voduns, orixás e caboclos.
Cantam-se em nagô e também em português. As vodunsis recebem um ou
dois voduns principais e vários caboclos. Os toques são sobre dois
tambores (abatás) com couro nas duas bocas, deitados sobre
cavaletes, acompanhados pelo ferro, uma cabaça grande e várias
pequenas.
No Tambor de Mina quase 90 por cento dos participantes do culto
são do sexo feminino, sendo assim pode-se perceber que existe um
matriarcado nesta religião. Os homens desempenham a função de
tocadores de tambores ou abatazeiros, e algumas atividades como o
sacrifício de animais e do transporte de certas obrigações.
Referências bibliográficas e
fontes de pesquisa:
Wikipedia - A
Enciclopédia Livre - http://pt.wikipedia.org
Pierre Fatumbi Verger - Fluxo e Refluxo do tráfico de
escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia de Todos os
Santos. São Paulo: Currupio, 1987.
Sergio Ferretti - Querebentã de Zomadonu. Etnografia da
Casa das Minas. São Luís: EDUFMA, 1996, (2ª Ed. Revista).
Mundicarmo Ferretti, Desceu na Guma: o caboclo em um
terreiro de São Luís - a Casa Fanti-Ashanti. São Luís,
EDUFMA, 2000, (2ª Ed. Revista).
Encaminhado para ser publicado no Atlas Afro-Brasileiro.
Fase. Rio de Janeiro, 2000.
COMISSÃO MARANHENSE DE FOLCLORE (http://cmfolclore.sites.uol.com.br/index.htm) |
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