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Prandi recebe título na USP

Autoridades das religiões afro presentes.

Por: Paulo Makyama

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No dia 05 de Junho de 2018, às 14:00, no Salão Nobre da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, José Reginaldo Prandi, professor titular aposentado do Departamento de Sociologia da USP,  foi o 12° docente a receber o título de Professor Emérito neste Departamento, outorga oferecida a docentes aposentados que se destacaram ao longo da carreira devido a suas contribuições para o Ensino e à Pesquisa. 
 
Leitura obrigatória para qualquer adepto ou simpatizante das religiões afro-brasileiras, Prandi é autor de mais de 30 livros, entre obras científicas (como “Encantaria brasileira: o livro dos mestres, caboclos e encantados.”, “Mitologia dos Orixás”, “Os candomblés de São Paulo: A velha magia na metrópole nova” e “Herdeiras do axé: Sociologia das religiões afro-brasileiras.”, ficção policial ( “Morte nos Búzios”) e literatura infantojuvenil (“Xangô, o Trovão”, “Ifá, o Adivinho, e mais recentemente “Aimó: uma viagem pelo mundo dos orixás”).
 
Compuseram a mesa a Profa. Dra. Maria Arminda do Nascimento Arruda, Diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP), Prof. Dr. Edmund Chada Baracat (Pró-Reitor de Graduação), Prof. Dr. Paulo Sérgio Martins (Vice-diretor da FFLCH), Prof. Dr. Sedi Hirano (Professor Emérito e Ex-diretor da FFLCH), e Prof. Dr. Ruy Gomes Braga Neto (Chefe do Departamento de Sociologia da USP).
 
Professor Prandi, em sua fala, relembrou cada um dos onze Professores Eméritos de seu Departamento que também receberam esta distinção, com detido detalhamento de suas contribuições para a Universidade e também suas relações para com eles, como o Professor Emérito Azis Simão, responsável por auxiliar no desembaraço de seu processo de contratação na Universidade à época do Regime Militar. 
 
Prandi também falou de suas referências que o conduziram ao trabalho Sociológico, como o Professor Roger Bastide, pioneiro no estudo científico da Umbanda e do Candomblé (tendo ele mesmo se iniciado no Candomblé na Bahia). Além disso, Prandi também falou de sua atuação pregressa, tendo participado do CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) como pesquisador junto de seus Mestres, e sendo autor do método de pesquisa que deu origem ao Instituto Datafolha. A outorga dessa distinção é, sem sombra de dúvidas, justa e merecida, em vista da vasta contribuição do Professor para a Sociologia da Religião ao longo de sua carreira, além da visibilidade e esclarecimento para adeptos e não-adeptos da religião. 
 
Vale ressaltar que em nenhum momento Prandi busca, em sua obra, revelar os Awó, os Segredos da Religião, reservados apenas aos iniciados e mais velhos na Religião, o que ela realiza de fato é a preservação do Conhecimento transmitido pela Tradição Oral por meio da mídia escrita, que certamente garante que esses conhecimentos, outrora restritos à mente e à efemeridade de seus corpos carnais, se perpetuem no tempo como referência para as muitas gerações de Umbandistas e Candomblecistas ainda por vir.
 
Aproveitando a oportunidade de estar na presença do Professor, como bom admirador de sua obra, pedi para que ele autografasse a minha cópia de “Mitologia dos Orixás”, “livro de cabeceira” que me apresentou ao universo da mitologia iorubá, e que utilizamos no Barracão de Pai José de Aruanda para embasar e justificar os fundamentos práticos da nossa religião que, conforme aprendemos com os mais velhos, sempre têm explicação a partir de uma passagem dos feitos e das interações entre os Orixás do Panteão, além de exemplificar, em suas narrativas, situações alusivas às características de personalidade intrínsecas ao Arquétipo de cada Filho de Orixá. Parabéns, Professor, Mo dúpẹ́, Olùkó Prandi!