Hoje é 18/10/17 ,Quarta-Feira, dia de Xangô

Vovó Maria Conga e suas crianças.

A parteira, madrinha, mãe dos seus e de tantos outros.

Por: Alexandre Falasco

A parteira, madrinha, mãe dos seus e de tantos outros.

Mais uma vez a família Barracão de Pai José celebrou batizados durante uma festa da casa, neste caso foram abençoados Pedro Miguel e Guilherme, filhos dos queridos Marco e Maria Carolina, durante as celebrações do dia dos Pretos Velhos.
 
Quem realizou a cerimônia foi a Vovó Maria Conga, preta velha que trabalha com a médium Mãe Silmara Falasco.
 
No Barracão já é tradição, a maioria das crianças são batizadas por ela, a Vovó tem uma história muito ligada às crianças, tanto que é ela quem comanda os trabalhos de Cosme e Damião, onde espíritos infantis se manifestam.
 
Conta a própria entidade que, quando da sua encarnação como escrava aqui no Brasil, seus filhos (e foram muitos) sempre eram tirados dela, vendidos ou colocados para trabalhar em outras fazendas por seus “sinhô”. A distância impedia que visse seus rebentos crescerem, guardava a lembrança deles apenas como crianças, como pequeninos. O que não tinha nada de pequena era sua dor, sua saudade.
 
No entanto, Vovó Maria Conga criou muitos filhos, filhos de outras escravas que passavam pelo mesmo drama, crianças que chegavam em sua senzala e ela os acolhia como se fossem os seus, estes a tinham como sua mãe verdadeira.
 
Parteira de primeira qualidade, a ponto de ser chamada até pelos senhores da “casa grande” quando complicações pareciam sem solução para os médicos, Vovó Maria Conga se apegava em sua fé, que era grande, salvava crianças e mães na hora do parto e sempre soube, no fundo, bem no fundo, que seus verdadeiros filhos também estavam bem e agradecia a Deus, Olorum, Zambi, por essa graça.
 
É dispensável dizer que no Barracão, a Vovó Maria Conga é muito procurada por casais que querem ter filhos, aqueles que ainda não querem tem até receio quando ela fala “tem criança vindo aí”, gosta de palpitar sobre o sexo das que estão para chegar e eu nunca vi ela errar, já sugeriu até nome que foi prontamente adotado por casais devotados e agradecidos.
 
Essa história mostra que não há entidade mais indicada para cuidar, abençoar e batizar nossas crianças e estamos bem amparados neste assunto, todos nos sentimos um pouco filhos dela.
 
Adorei as almas. Adorei a Vovó Maria Conga.
 
Fotos: Daniele Vertuan