O centro de Umbanda O Barracão de Pai
José de Aruanda, que fica na cidade de Jundiaí, a 40 km da capital,
realizou a preparação e consagração de mais dois sacerdotes de
Umbanda, em rituais que por si só revelam toda a rica mistura cultural
que dá origem e justificam o fato de a nossa querida Umbanda ser a
mais brasileira de todas as religiões.
O cerimonial que encerrou a feitura de Pai Jefferson Ibiapino e Mãe
Maria Falasco, resgatou toda a influência afro-descendente que existe
em muitos terreiros pelo Brasil, em seus cânticos e rituais, que
apesar de se manterem fiéis a doutrina Umbandista não deixaram de
relembrar antigas tradições do povo de santo, revelando forte respeito
às origens e muita vontade de se preservar estas tradições, tanto que
o evento foi chamado de “Saída de Santo” pelos Pais e Mães de Santo da
região e da capital paulista, que estiveram presentes.

A chegada das entidades nos Pais e
Mães de Santo presentes, da esquerda para a direita, Mãe Marlene,
Pai Nenê, Mãe Silmara, Pai Açexandre, Mãe Adriana, saudando a
chegada da Cabocla de Mãe Clara de Oxum. |
|
Entre estes convidados estava o Mestre
Severino Sena, um dos mais renomados Ogãs de São Paulo,
responsável pela curimba de grandes trabalhos como os eventos do
Mestre Rubens Sarasceni, que normalmente reúne milhares de
umbandistas em um único local, o Babalorixá Eldiamor Brescancini,
também conhecido como Pai Nenê, Presidente e dirigente de um dos
templos mais antigos da cidade, a Tenda espírita de Umbanda São
Cosme e São Damião, que existe em Jundiaí a mais de 50 anos e foi
fundada por um dos pioneiros da Umbanda daquela região, o saudoso
Bruno Brescancini. Pai Roberto do templo Pai Oxalá, Mãe Clara da
tenda Caboclo Sete Pedreiras, Pai Paulo Carvalho, do templo
Caboclo Sete Estrelas de Espírito Santo dos Pinhais, dentre muitos
religiosos interessados em ver de perto uma manifestação de nossa
religião no mínimo muito bela e interessante no contexto cultural. |
A cerimônia e toda a preparação dos
novos Sacerdotes foi realizada por Pai Alexandre Falasco e Mãe Silmara
Falasco, que são dirigentes do Barracão de Pai José e começaram as
obrigações levando seus filhos a um trabalho nas matas e cachoeiras,
santuários naturais dos Orixás, onde realizaram oferendas em folhas e
flores, sem a utilização de materiais nocivos a natureza, e trouxeram
em terra as entidades que iniciaram as bênçãos aos novos sacerdotes.
Isso ocorreu uma semana antes de os mesmos entrarem em camarinha, onde
permaneceram por quatro dias literalmente “hospedados” no terreiro,
deitados em suas esteiras e comendo as deliciosas comidas alusivas aos
seus Orixás regentes, que no caso de ambos se tratava de Xangô, as
Iabassês prepararam o amalá, o caruru, entre outras iguarias
apreciadíssimas por este grandioso Orixá.
|
“Esta camarinha chamamos de
assentamento do Orixá, é onde os filhos materializam as energias
em otás e outros diversos materiais necessários para a realização
destes assentamentos, muitos destes materiais são bastante
difíceis de serem encontrados, um exemplo disso é a Pedra de Raio
para o assentamento do Orixá Xangô, ou Edun Ará como também é
conhecida, que só foi conseguida na Bahia em viagem que o Pai
Jefferson juntamente com Jacy Campos, uma de nossas filhas de
santo que também firmou o assentamento para seu Orixá, realizaram
um mês antes para conseguir encontrar tudo, além é claro de
aproveitar para visitar os antigos e tradicionais terreiros da
Bahia como o Ilê Axé Opó Afonjá, onde conheceram Mãe Estela de
Oxossi e os terreiros da Casa Branca e Gantois” explica Pai
Alexandre que faz questão de mencionar seu respeito pelos cultos
de nação por acreditar que estes, muito contribuíram para a
formação de nossa Umbanda e por isso não podem ser esquecidos. |
|

Os filhos de Santo do Barracão, juntos com os filhos de santo dos
sacerdotes convidados, O Barracão ficou lotado para a festa. |
Deste ritual de resguardo, a
camarinha, Pai Jefferson e Mãe Maria só sairiam para a cerimônia que
os consagrariam como novos Sacerdotes de Umbanda.
No domingo do tal evento, enquanto o Caboclo da Folha de Guiné,
entidade da linha de Oxossi que trabalha com Pai Alexandre, abria a
cerimônia, os novos Pais esperavam nas acomodações que se encontram
acima da estrutura da casa, donde desceram logo após todas as
entidades dos chefes de terreiros presentes estarem em terra. O
momento máximo da cerimônia sem dúvida foi este, pois ao rufar
cadenciado e mais acelerado dos tambores da curimba do Barracão,
majestosamente comandada pelo Ogã Marcos Tanuri, Pai Jefferson e Mãe
Maria, ladeados por outros quatro filhos de santo da casa que
seguravam uma toalha branca enfeitada sobre suas cabeças, desceram uma
escada lateral bem em frente o congá, com ampla visão de todos os
participantes e platéia. Na sua frente uma filha dançava e balançava
um adejá, enquanto outros dois jogavam pétalas de rosas pelo caminho
onde passaram até chegar no congá, diante do Sr Caboclo da Folha de
Guiné que realizou então, as mirongas necessárias para a finalização
do cerimonial.
Ainda houve a incorporação de todos os médiuns participantes da
corrente, filhos de todas as casas que visitaram o Barracão neste dia,
seus Caboclos cumprimentavam e saudavam os novos sacerdotes, agora já
coroados pelos Babas presentes e suas entidades, sentados em belas
cadeiras de madeira rústica e reforçada.
|
Agradecimentos mais que
especiais aos Sacerdotes presentes |
 |
 |
 |
|
Pai Roberto, do Templo Pai
Oxalá e Baiano 7 Porteiras |
Pai Bruno do Cosme e Damião e
Mãe Clara do Templo Caboclo 7 Pedreiras |
Pai Nenê, presidente do T.E.U.
São Cosme e São Damião, aqui ao lado da Cabocla Jupiara |
 |
 |
 |
|
Mãe Marlene do T.E.U. São
Cosme e São Damião |
Pai Paulo Carvalho, do templo
Caboclo Sete Estrelas de Espírito Santo dos Pinhais |
Mãe Adriana do T.E.U. São
Cosme e São Damião |
Depois do encerramento, por volta do
meio-dia, a comemoração se deu com churrasco de carneiro (uma das
comidas prediletas do orixá Xangô) e muito chope, musica e alegria.
Sem dúvida uma linda cerimônia tradicional, reverenciando a raiz dos
cultos de Orixás como o Candomblé e as Nações Africanas, mas sem
perder a personalidade umbandista e a energia das giras e fundamentos
da nossa querida religião.
|